Clínica Dr. José Olimpio Carneiro

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Fatores de risco do infarto

O infarto agudo do miocárdio geralmente ocorre quando o fluxo de sangue em uma artéria coronária é interrompido, impedindo que parte do coração receba oxigênio. Na maioria dos casos, essa obstrução está relacionada à aterosclerose, processo em que placas de gordura, colesterol e outras substâncias se acumulam na parede das artérias.

O infarto raramente é consequência de uma única causa. Em geral, resulta da combinação de fatores que, ao longo dos anos, favorecem o desenvolvimento e a ruptura dessas placas. Quanto maior o número de fatores de risco e quanto menos controlados estiverem, maior tende a ser a probabilidade de um evento cardiovascular.

Muitos desses fatores podem evoluir silenciosamente. Hipertensão, colesterol elevado e diabetes, por exemplo, podem permanecer por anos sem provocar sintomas. Por isso, não sentir nada não significa necessariamente que o coração esteja protegido.

Principais fatores de risco que podem ser modificados

Pressão arterial elevada

A hipertensão força o coração a trabalhar mais e provoca danos progressivos nas paredes das artérias. Quando não é adequadamente controlada, aumenta o risco de infarto, acidente vascular cerebral, insuficiência cardíaca e doença renal.

Como frequentemente não causa sintomas, a pressão arterial deve ser medida periodicamente. Pessoas com diagnóstico de hipertensão precisam manter acompanhamento médico e seguir corretamente o tratamento, mesmo quando se sentem bem.

Colesterol e triglicérides elevados

O excesso de colesterol aterogênico — especialmente o LDL-colesterol — favorece a formação de placas nas artérias. Com o passar do tempo, essas placas podem crescer, estreitar a passagem do sangue ou se romper, desencadeando a formação de um coágulo e a obstrução da artéria coronária.

Triglicérides elevados também podem contribuir para o risco cardiovascular, principalmente quando associados a diabetes, obesidade abdominal, hipertensão ou redução do HDL-colesterol.

Os valores considerados adequados não são iguais para todas as pessoas. As metas dependem do risco cardiovascular individual e devem ser definidas pelo médico.

Tabagismo e exposição à fumaça do cigarro

Fumar é um dos principais fatores de risco evitáveis para o infarto. As substâncias presentes no cigarro danificam as artérias, favorecem a inflamação, aumentam a pressão arterial, reduzem a oferta de oxigênio e facilitam a formação de coágulos.

Cigarros eletrônicos e outros dispositivos com nicotina não são alternativas seguras para o coração. A exposição frequente à fumaça de outras pessoas também aumenta o risco cardiovascular.

Parar de fumar produz benefícios em qualquer idade. Quando necessário, o tratamento pode incluir acompanhamento profissional, apoio comportamental e medicamentos.

Diabetes e glicose elevada

A glicose persistentemente elevada danifica os vasos sanguíneos e acelera a aterosclerose. Pessoas com diabetes apresentam risco significativamente maior de desenvolver doença cardiovascular, especialmente quando também possuem hipertensão, colesterol elevado, obesidade ou doença renal.

Além de controlar a glicemia, é fundamental acompanhar a pressão arterial, o colesterol, o peso, a função renal e os demais fatores de risco.

Excesso de peso e obesidade abdominal

O excesso de gordura corporal, principalmente na região abdominal, está relacionado à hipertensão, resistência à insulina, diabetes, alterações do colesterol, inflamação e maior risco de doença cardiovascular.

O objetivo não deve ser apenas atingir determinado número na balança, mas construir mudanças sustentáveis que melhorem a saúde metabólica. Mesmo uma redução moderada e mantida do peso pode produzir benefícios importantes em pessoas com excesso de peso.

Sedentarismo

A inatividade física favorece o ganho de peso, a elevação da pressão arterial, o diabetes e as alterações do colesterol. A prática regular de atividade física contribui para controlar esses fatores e melhorar o funcionamento do sistema cardiovascular.

De modo geral, recomenda-se que adultos realizem pelo menos 150 minutos semanais de atividade física de intensidade moderada ou 75 minutos de atividade vigorosa, além de reduzir o tempo prolongado sentado. A escolha da atividade e a intensidade devem considerar a idade, o condicionamento e as condições de saúde de cada pessoa.

Quem apresenta sintomas, possui doença cardiovascular ou permanece sedentário há muito tempo deve buscar orientação profissional antes de iniciar exercícios intensos.

Alimentação inadequada

Uma alimentação rica em sódio, açúcares, gorduras saturadas e produtos ultraprocessados contribui para hipertensão, colesterol elevado, obesidade e diabetes.

O Guia Alimentar para a População Brasileira recomenda fazer dos alimentos in natura ou minimamente processados a base da alimentação. Isso inclui verduras, legumes, frutas, feijões, cereais, tubérculos, ovos, leite, carnes e outros alimentos pouco processados, preparados com quantidades moderadas de sal, açúcar e gorduras.

Alimentos ultraprocessados — como refrigerantes, biscoitos recheados, salgadinhos, macarrão instantâneo, embutidos e diversas refeições prontas — devem ser evitados. Em geral, apresentam excesso de sódio, açúcar, gorduras e calorias, pouca fibra e composição que favorece o consumo além do necessário.

Nenhum alimento isolado é capaz de prevenir o infarto. A proteção depende do padrão alimentar mantido ao longo do tempo.

Consumo excessivo de bebidas alcoólicas

O consumo elevado de álcool pode aumentar a pressão arterial e os triglicérides, favorecer arritmias, ganho de peso, cardiomiopatia e acidente vascular cerebral.

Não se recomenda começar a beber com a finalidade de proteger o coração. Para quem consome bebidas alcoólicas, a frequência e a quantidade devem ser discutidas com o médico, especialmente na presença de hipertensão, diabetes, arritmias, doença do fígado ou uso de medicamentos.

Sono insuficiente ou de má qualidade

Dormir pouco, ter sono irregular ou apresentar distúrbios como a apneia obstrutiva do sono pode prejudicar a pressão arterial, o metabolismo da glicose, o controle do peso e a saúde cardiovascular.

A maioria dos adultos necessita, em média, de sete a nove horas de sono por noite. Ronco intenso, pausas respiratórias durante o sono, despertares frequentes e sonolência excessiva durante o dia devem ser investigados.

Estresse persistente

O estresse não deve ser apontado como causa única do infarto, mas pode contribuir para o risco cardiovascular. Pode elevar temporariamente a pressão arterial e favorecer comportamentos prejudiciais, como fumar, consumir álcool em excesso, alimentar-se inadequadamente, dormir mal e abandonar tratamentos.

Buscar formas saudáveis de lidar com o estresse e procurar apoio profissional quando necessário também faz parte do cuidado com o coração.

Fatores que não podem ser modificados

Idade

O risco cardiovascular aumenta com o envelhecimento, pois as artérias ficam expostas por mais tempo aos efeitos da pressão arterial, do colesterol, da glicose e de outros fatores.

Histórico familiar e predisposição genética

Ter familiares próximos com doença cardiovascular, principalmente quando ocorrida precocemente, pode indicar maior predisposição. Nesses casos, o acompanhamento preventivo deve começar mais cedo e ser mais cuidadoso.

Sexo e fases da vida da mulher

Homens tendem a apresentar infarto mais precocemente. Nas mulheres, o risco cardiovascular aumenta com a idade e após a menopausa. Menopausa precoce e antecedentes de algumas complicações da gestação, como pré-eclâmpsia, também podem indicar risco aumentado.

Essas diferenças não significam que mulheres jovens estejam protegidas. O infarto pode ocorrer em ambos os sexos, e os fatores de risco devem ser avaliados individualmente.

Condições que também podem aumentar o risco

Algumas doenças e situações exigem atenção especial, entre elas:

  • doença renal crônica;
  • síndrome metabólica;
  • doenças inflamatórias crônicas, como artrite reumatoide e psoríase;
  • apneia obstrutiva do sono;
  • doença arterial já conhecida no coração, no cérebro, no pescoço ou nas pernas;
  • infarto ou acidente vascular cerebral anterior;
  • histórico de pré-eclâmpsia ou menopausa precoce;
  • uso de cocaína, anfetaminas e outras substâncias estimulantes;
  • exposição frequente à poluição do ar.

Pessoas que já tiveram infarto, AVC ou outra manifestação de aterosclerose apresentam risco elevado de novos eventos e precisam de acompanhamento contínuo.

Os fatores de risco se somam

Pressão alta, diabetes, colesterol elevado, tabagismo, obesidade e sedentarismo não atuam de forma isolada. Quando estão associados, o risco pode crescer de maneira importante.

Por isso, a prevenção não deve se concentrar somente em um exame ou em um hábito. É necessário avaliar o conjunto: idade, histórico familiar, pressão arterial, colesterol, glicemia, peso, alimentação, atividade física, tabagismo, sono, doenças existentes e tratamentos em uso.

Como reduzir o risco de infarto

A prevenção envolve atitudes contínuas:

  • não fumar nem utilizar produtos com nicotina;
  • medir e controlar a pressão arterial;
  • acompanhar colesterol, triglicérides e glicemia;
  • tomar corretamente os medicamentos prescritos;
  • manter uma alimentação baseada em alimentos in natura ou minimamente processados;
  • evitar produtos ultraprocessados;
  • praticar atividade física regularmente;
  • cuidar do peso e da circunferência abdominal;
  • dormir adequadamente;
  • evitar o consumo excessivo de álcool;
  • realizar acompanhamento médico periódico.

Medicamentos para pressão, colesterol ou diabetes não devem ser interrompidos porque os exames melhoraram. Muitas vezes, os resultados estão controlados justamente pela ação do tratamento.

Também não se recomenda utilizar aspirina por conta própria para prevenir infarto. Embora seja indicada em algumas situações, pode causar sangramentos e somente deve ser usada após avaliação médica.

Avaliar o risco antes que apareçam sintomas

A avaliação cardiovascular permite identificar fatores silenciosos, calcular o risco global e definir medidas de prevenção adequadas para cada pessoa. Dependendo da idade, do histórico e dos resultados dos exames, o médico poderá indicar mudanças no estilo de vida, medicamentos ou investigações complementares.

Não é possível eliminar completamente o risco de infarto, mas controlar os fatores modificáveis pode reduzi-lo de forma significativa. A prevenção mais eficaz começa antes do aparecimento dos sintomas e deve ser mantida ao longo da vida.

Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento médico individualizado.

Fontes de referência

Organização Mundial da Saúde — Doenças cardiovasculares

Sociedade Brasileira de Cardiologia — Atualização da Diretriz de Prevenção Cardiovascular

American Heart Association — Fatores de risco e prevenção do infarto

American Heart Association — Life’s Essential 8

Ministério da Saúde — Guia Alimentar.

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